Redação Voz da Terra - Na última sexta (8), uma ação militar deixou mortos, feridos e tiros disparados contra o acampamento Valdiro Chagas — ocupação histórica na antiga Fazenda Jatobá, km 10 da Linha T15, cerca de 45 km da cidade de Machadinho do Oeste, distante 297 quilômetros de Porto Velho (RO).
A Comissão Pastoral da Terra de Rondônia (CPT‑RO) afirmou que essa violência se repete por décadas, mas a intensidade atual se relaciona à resistência cotidiana das famílias no campo.
A CPT‑RO relaciona o episódio com erros trágicos do passado, como o massacre de Corumbiara, ocorrido há 30 anos, e destaca que, mesmo depois de tanto tempo, "o sangue continua sendo derramado, as lágrimas seguem caindo e as dores persistem, enquanto milhares de hectares de terras públicas continuam sendo griladas".
Reafirma também a urgência da reforma agrária, com demarcação de territórios de comunidades tradicionais e indígenas, como caminho de justiça social na Amazônia.
Essa tragédia possui um contexto mais amplo: em 2024, o Brasil teve o segundo maior número de conflitos no campo desde 1985, com 2.185 casos envolvendo disputas por terra, água, trabalho e ações de resistência — valor apenas inferior a 2023, quando foram 2.250 registros.
Embora os assassinatos tenham diminuído, ameaças de morte e tentativas de homicídio aumentaram, especialmente nas áreas de expansão do agronegócio, como a Amazônia Legal.
Em Rondônia, a situação também é grave. Em 2024, o estado registrou 123 conflitos por terra envolvendo mais de 9.400 famílias, incluindo ocupações e acampamentos em regiões como Nova Brasilândia do Oeste, Porto Velho, Vilhena e Alta Floresta do Oeste.
Antes disso, em 2021, Rondônia concentrara 11 dos 35 assassinatos no campo registrados no país.

