Monitoramento identifica avanço do garimpo no rio Madeira

Mineração de ouro ocorre de maneira ilegal destruindo o meio ambiente.
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Voz da Terra
28 julho 2025
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Balsa de garimpo no rio Madeira. (Foto: Bruno Kelly - Greenpeace)

Redação Voz da TerraEntre fevereiro e julho de 2025, o número de balsas de garimpo no Rio Madeira aumentou de 130 para 542. A atividade ocorre próxima a terras indígenas e unidades de conservação, com risco de contaminação por mercúrio e efeitos sobre comunidades ribeirinhas e a biodiversidade.

O Rio Madeira, um dos principais afluentes do Amazonas, voltou a registrar forte presença de garimpo ilegal. Em sobrevoo no dia 19 de julho de 2025, o Greenpeace Brasil identificou 542 balsas operando em 22 pontos entre Calama (RO) e Novo Apuranã (AM). As embarcações, usadas para dragar o fundo do rio em busca de ouro, estavam localizadas perto de áreas protegidas, como a Reserva Extrativista Lago do Cuniã e a Terra Indígena Lago Jauari.

As imagens fazem parte de um monitoramento que utiliza tecnologia avançada. Segundo o Greenpeace, o número atual de balsas representa aumento de 316,92% em relação a fevereiro, quando foram registradas 130. Em junho, já eram 285, e em julho o total mais que dobrou.

O levantamento foi possível graças à plataforma de inteligência Papa Alpha, que utiliza imagens de radar do satélite Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia. O sistema consegue detectar estruturas metálicas mesmo sob nuvens densas e cobertura florestal, permitindo gerar alertas quase em tempo real sobre movimentações suspeitas.

A organização pretende expandir o uso do sistema para outros rios amazônicos, como Tapajós e Teles Pires, também afetados pelo garimpo. O objetivo é ampliar o mapeamento contínuo e fornecer dados técnicos para a fiscalização ambiental.

Para o porta-voz da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, Grégor Daflon, a situação requer ação imediata das autoridades. “Cada balsa ilegal significa mercúrio nos rios, florestas destruídas e vidas ameaçadas. Estamos falando de uma atividade criminosa que não apenas devasta o meio ambiente, mas também deteriora a qualidade da água e contamina os peixes da região, impactando diretamente as comunidades que dependem desses recursos”, alertou.

Daflon afirma que a tecnologia Papa Alpha representa um avanço importante no combate ao problema: “Sabemos onde estão as balsas, quando chegam e como se movem. Isso é um passo decisivo para responsabilizar os culpados e pressionar as autoridades a tomar uma atitude à altura da destruição em curso”.

Os dados levantados estão sendo enviados pelo Greenpeace a órgãos de controle e fiscalização, como Ministério Público, Ibama e Polícia Federal, para acelerar a responsabilização dos envolvidos e estimular uma resposta governamental mais firme diante do avanço do garimpo ilegal na Amazônia.
 

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