Violência obstétrica contra indígenas é investigado em Rondônia

Recomendação inclui plano de parto indígena, protocolos de consentimento, direito a acompanhante e medidas para humanização do luto materno.
Compartilhe no WhatsApp
Voz da Terra
30 setembro 2025
0
Governos devem adotar políticas de proteção das mulheres indígenas em Rondônia. (Foto: Agência Brasil)

Redação - Medidas urgentes devem ser adotadas para prevenir a violência obstétrica contra mulheres indígenas e garantir o respeito às tradições culturais no parto e pós-parto. Nos territórios indígenas há relatos de abusos registrados em procedimento administrativo e audiência pública realizada em julho. 

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), à Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai), ao Governo de Rondônia e à Secretaria de Estado de Saúde (Sesau) que tome providências sobre as violações de direitos. 

Entre os casos apurados está o de uma indígena que, em março de 2024, não recebeu a declaração de óbito nem pôde realizar o funeral do feto, em desacordo com os costumes da etnia. 

Outros relatos incluíram cesarianas sem consentimento, descarte de natimortos sem autorização, recusa ao direito a acompanhante e linguagem ofensiva de profissionais. A Lei Estadual nº 4.173/2017 já classifica como violência obstétrica práticas que desrespeitam ou ignoram escolhas da gestante.


O MPF recomenda a criação de um Plano de Parto Indígena, com protocolos que contemplem costumes de cada etnia, consentimento informado para procedimentos invasivos e garantia de acompanhante em consultas e partos. 

Também sugere a adaptação de salas de parto com mobiliário adequado às práticas tradicionais. Para casos de perda gestacional, o documento orienta a humanização do luto, com direito a despedida e rituais conforme a crença da família, além da emissão de declaração de natimorto.

A recomendação foi assinada pelos procuradores Caroline de Fátima Helpa e Leonardo Trevizani Caberlon. Os órgãos notificados têm 30 dias para responder. O não cumprimento pode resultar em medidas administrativas e judiciais. Cópias foram enviadas à Universidade Federal de Rondônia para inclusão do tema nos cursos de Medicina e Enfermagem.


Siga no Google News

Postar um comentário

0Comentários

Postar um comentário (0)

#buttons=(Ok, estou ciente!) #days=(20)

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência de navegaçãoSaiba Mais
Ok, Go it!

Aviso: Ao copiar qualquer conteúdo desta página, por favor dê os devidos créditos ao site Voz da Terra. Agradecemos por valorizar nosso trabalho.