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| Rebanho bovino em Rondônia. (Foto: Secom Gov. Ro) |
Redação Voz da Terra - O Tribunal de Justiça de Rondônia determinou que O Joio e O Trigo retire do ar uma reportagem sobre desmatamento e a indústria da carne, publicada em janeiro deste ano. A decisão, de caráter liminar, determinou que o veículo tire o texto de seu site, das redes sociais e de todos os espaços de publicação. O caso corre em segredo de Justiça.
O Joio e O Trigo informou que cumpriu a decisão tão logo foi notificado, retirando do ar a reportagem publicada em 30 de janeiro deste ano. É a primeira vez em sua história que o veículo sofreu uma ação judicial por pessoas mencionadas em uma de suas reportagens.
“Nosso jornalismo prima pela qualidade das apurações, marcadas por um processo de checagem de informação e consulta prévia a advogados no caso de conteúdos sensíveis”, declarou O Joio.
“Todas as reportagens levadas ao público são fruto de um acúmulo de expertise na cobertura sobre sistemas alimentares. Para nós, a ação e a determinação de retirada da matéria do ar configuram um cerceamento da liberdade de expressão. No caso em questão, e como em todas as outras matérias jornalísticas feitas pelo Joio, foram ouvidas todas as pessoas citadas na matéria e dada oportunidade para o contraditório”.
O veiculo declarou que não concorda com a decisão judicial e vai recorrer da decisão.
Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) emitiu uma nota:
"A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) repudia com veemência a ação judicial contra O Joio e O Trigo, organização dedicada à investigação jornalística de temas relacionados a sistemas alimentares, e se preocupa com a instrumentalização do Judiciário para o cerceamento da liberdade de imprensa.
O processo se refere a uma reportagem sobre desmatamento e indústria da carne, publicada pelo Joio em janeiro deste ano. No dia 8 de agosto, o Tribunal de Justiça de Rondônia determinou que o veículo retirasse do ar a matéria. O juiz do caso também decidiu que o processo corra em segredo de Justiça, sem que se possa revelar os nomes dos envolvidos.
Em oito anos de atuação, essa é a primeira vez que o Joio é alvo de uma ação movida por pessoas mencionadas em uma reportagem – na qual foi garantida a oportunidade, a quem foi citado, de apresentar sua versão dos fatos antes da publicação.
A CDJor seguirá acompanhando o caso com atenção e confia que o Tribunal acolherá os recursos d’O Joio e o Trigo, garantindo o livre exercício do jornalismo."

