Voz da Terra marca presença no Congresso de Jornalismo da Abraji

Foi discutido inteligência artificial, segurança, meio ambiente e o futuro da profissão diante de ameaças crescentes no Brasil e no mundo.
Compartilhe no WhatsApp
Voz da Terra
14 julho 2025
0
Voz da Terra com jornalistas e comunicadores de várias regiões do país. (Foto: I'Max)

O Voz da Terra marcou presença no 20º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, realizado de 10 a 13 de julho de 2025, no campus da ESPM, em São Paulo. O evento, que se tornou o maior do gênero na América Latina, bateu recorde de público com a participação de jornalistas, estudantes, ativistas, comunicadores populares e representantes de organizações nacionais e internacionais.

A edição comemorativa de duas décadas refletiu não só a força do jornalismo investigativo no Brasil, mas também os riscos que ameaçam sua continuidade e liberdade.

Durante os quatro dias de programação, o Voz da Terra se integrou a oficinas, mesas e rodas de conversa que abordaram desde os impactos das mudanças climáticas até os desafios do jornalismo em territórios indígenas e comunidades tradicionais.

A equipe participou ativamente de oficinas voltadas à cobertura de mineração e garimpo ilegal, com foco em estratégias de apuração, segurança e checagem de informações em áreas de difícil acesso. Também esteve presente em sessões sobre proteção de jornalistas, direitos humanos e tecnologias aplicadas à investigação jornalística, onde se discutiram ferramentas digitais, fontes abertas e métodos seguros de coleta e análise de dados.

“Essas oficinas mostraram a importância de um jornalismo que atua com responsabilidade em regiões onde a presença do Estado é frágil ou inexistente — como nas fronteiras amazônicas ou em territórios sob influência de atividades ilegais. Os debates reforçaram a necessidade de preparação técnica e protocolos de segurança, tanto para quem atua em campo quanto para quem edita e publica as matérias. Uma das discussões mais importantes foi sobre os riscos enfrentados por jornalistas no exercício da profissão. A questão da segurança — física, digital e jurídica — apareceu com força ", disse Francisco Costa, jornalista e cofundador do Voz da Terra.

Foram apresentados relatos de profissionais ameaçados por coberturas em zonas de conflito ambiental e urbano, especialmente no Norte e no Centro-Oeste do país. Também se discutiu o uso abusivo do judiciário contra a imprensa, com ações que visam silenciar investigações e restringir a liberdade de expressão.

Esses riscos não são exclusivos do Brasil. Em diferentes regiões do mundo, jornalistas estão sendo perseguidos, atacados e até mortos por fazerem seu trabalho, especialmente quando expõem violações de direitos humanos, corrupção ou crimes ambientais.

Novas tecnologias

Outro tema de destaque foi a inteligência artificial. Se por um lado ela traz novas possibilidades para investigar, cruzar dados e automatizar tarefas jornalísticas, por outro levanta questões urgentes sobre ética, vigilância e desinformação. Durante os painéis, especialistas alertaram para o uso de IA por governos e empresas para vigiar cidadãos e manipular a opinião pública. A discussão mostrou que, em vez de substituir repórteres, a tecnologia precisa ser compreendida como uma ferramenta que deve estar a serviço do interesse público — e não o contrário.

O Voz da Terra também esteve presente no “Domingo de Dados”, um dia inteiro dedicado a oficinas sobre jornalismo de dados, com foco em cruzamento de informações públicas, uso de bases sobre crimes ambientais e estratégias para reportagens que exigem alto rigor investigativo. A experiência reforçou a importância da formação contínua dos jornalistas, especialmente dos que atuam longe dos grandes centros urbanos e com poucos recursos técnicos.

“A participação do Voz da Terra nesse ambiente foi estratégica. Fortalecemos conexões com outros veículos independentes, trocamos experiências sobre sustentabilidade financeira e reafirmamos o compromisso com um jornalismo popular, plural e enraizado nos territórios”, disse Costa.

Ao voltar para casa, a equipe trouxe na bagagem ferramentas novas, contatos importantes e a certeza de que, mesmo sob ataque, o jornalismo comprometido com a verdade e com os direitos coletivos continua sendo um dos pilares da democracia.

“Num momento em que a desinformação se espalha com velocidade, e o exercício do jornalismo se torna cada vez mais arriscado, encontros como o Congresso da Abraji são mais do que necessários. São espaços de respiro, de escuta e de construção conjunta de caminhos possíveis. Para o Voz da Terra, foi também uma oportunidade de afirmar sua identidade: contar histórias que importam, com coragem, escuta e compromisso com quem quase nunca tem voz”, comentou Francisco.

O Voz da Terra foi bolsista no evento e teve as despesas custeadas pela Abraji e I'Max.


Siga no Google News

Postar um comentário

0Comentários

Postar um comentário (0)

#buttons=(Ok, estou ciente!) #days=(20)

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência de navegaçãoSaiba Mais
Ok, Go it!

Aviso: Ao copiar qualquer conteúdo desta página, por favor dê os devidos créditos ao site Voz da Terra. Agradecemos por valorizar nosso trabalho.