Rondônia possui o maior berçário de tartarugas da Amazônia

Estudo internacional revela o maior ponto de reprodução da espécie já identificado e propõe novo método de contagem por drones
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Voz da Terra
22 julho 2025
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Vale do Guaporé possui uma das maiores populações de tartarugas da Amazônia. (Foto: Secom Ro)

Redação Voz da Terra - Um levantamento realizado por pesquisadores da Universidade da Flórida, em parceria com equipes do Brasil e da Bolívia, identificou o maior local de desova já registrado da tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa).

O estudo contabilizou cerca de 41 mil indivíduos no Rio Guaporé, trecho que marca a divisa entre os dois países sul-americanos.

A espécie, que aparece em áreas de água doce no Brasil, na Bolívia e na Colômbia, está ameaçada de extinção. A pesquisa foi publicada na revista Journal of Applied Ecology, na quinta-feira (18).

As tartarugas-da-amazônia podem atingir até 89 centímetros de comprimento e pesar cerca de 59 quilos. A alimentação inclui frutos, sementes, folhas, pequenos peixes e crustáceos.

Para estimar a população, os pesquisadores utilizaram drones e aplicaram a técnica de ortomosaico, que reúne e sobrepõe imagens aéreas em alta resolução. O método já era utilizado nos Estados Unidos e passou a ser testado na Amazônia em 2024.

Uma limitação do ortomosaico é a dificuldade de evitar a contagem repetida dos mesmos animais. Para contornar esse problema, os cientistas marcaram os cascos de 1.187 tartarugas com tinta branca atóxica e passaram a monitorá-las com drones durante 12 dias. Os voos ocorriam quatro vezes por dia, totalizando 6 mil imagens diárias.

Com apoio de softwares, a equipe revisou cada imagem, analisando o deslocamento e o comportamento das tartarugas. Os dados permitiram desenvolver modelos estatísticos que identificaram padrões de movimentação e apontaram a estimativa mais próxima da realidade: cerca de 41 mil animais.

Antes do ajuste, os dados brutos indicavam 79 mil tartarugas. Já a contagem em solo identificou apenas 16 mil. A discrepância, segundo os pesquisadores, reforça a importância de métodos precisos para monitorar espécies ameaçadas.

“O número de animais varia muito de acordo com o método. Se não houver precisão na contagem, não há como saber se a população está caindo ou se os esforços de proteção estão funcionando”, afirmou Ismael Brack, ecologista e autor principal do estudo.

A equipe agora pretende expandir as pesquisas para outras regiões da América do Sul, como Peru, Colômbia e Venezuela, além de aprimorar os sistemas de monitoramento por drones.


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